logo AzMina
28 de maio de 2026

Clube do Livro d’AzMina celebra primeiro ano

Em parceria com o projeto História Guardada, o clube d’AzMina se estruturou como uma comunidade ativa para promover a leitura

Criado para aproximar literatura, comunidade e debate feminista, o Clube do Livro d’AzMina, em parceria com o projeto História Guardada, completou seu primeiro ano em maio de 2026, consolidando-se como um espaço de troca entre as pessoas que apoiam o Instituto. O encontro que marcou a data foi realizado no dia 13 de maio e falou do livro “As Malditas”, de Camila Sosa Villada. 

Mediado por Ana Clara Pecis, criadora do História Guardada, o clube já promoveu seis encontros, com intervalos de dois meses. O foco da iniciativa são narrativas de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, alternando ciclos de leituras entre ficção e não-ficção. O primeiro livro discutido foi “Mau Hábito”, da autora Alana S. Portero, inaugurando uma lista de leituras sobre pertencimento, reencontro, descobertas e as experiências que atravessam a vida de mulheres e pessoas dissidentes de gênero e sexualidade.

Imagem com fundo em degradê azul e turquesa. Ao centro há uma captura de tela de uma reunião virtual com diversas participantes do Clube do Livro d’AzMina. A maioria aparece sorrindo para a câmera e segurando exemplares físicos ou digitais do livro Mau Hábito, de Alana S. Portero.

As participantes aparecem organizadas em uma grade de vídeo, cada uma em sua própria janela. Algumas usam óculos e fones de ouvido; outras exibem o livro próximo ao rosto. Os ambientes ao fundo são domésticos, com paredes claras e iluminação suave. A imagem transmite um clima de troca, leitura coletiva e celebração do encontro literário.

Comunidade que se constrói entre encontros

Entre uma data e outra, as conversas continuam em um grupo de WhatsApp, onde participantes podem trocar impressões e escolher a próxima leitura com base na curadoria da equipe do História Guardada e d’AzMina.

“Sinto que o diferencial do clube d’AzMina não está apenas no foco em narrativas de mulheres ou pessoas LGBTQIAPN+, mas também na construção gradual de uma comunidade de pessoas que tentam inserir, sem pressão, as leituras ao lado das obrigações do trabalho, da vida doméstica e do tempo de qualidade com os amigos e com a família”, afirma Ana Clara.

Do lado d’AzMina, a organização e a articulação do clube ficam sob responsabilidade da coordenadora de comunidades, Natali Carvalho. Ao longo do primeiro ano, a iniciativa firmou parceria com as editoras Companhia das Letras, Ubu Editora, Relicário e Grupo Editorial Record e trouxe a tradutora de “Tornar-se Palestina”, Mariana Sanchez, para um dos encontros.

Imagem com fundo em degradê azul e turquesa. Ao centro há uma captura de tela de uma reunião virtual do Clube do Livro d’AzMina.

A grade reúne várias participantes em diferentes janelas de vídeo. Algumas sorriem e mostram exemplares de um livro de capa clara para a câmera. Outras aparecem apenas por foto de perfil ou com a câmera desligada. Uma participante segura um gato branco no colo. Os enquadramentos mostram ambientes domésticos, estantes, quadros e paredes claras.

A atmosfera é acolhedora e descontraída, destacando o encontro coletivo de leitoras em ambiente online.

“A ideia surgiu de uma percepção simples: nossas apoiadoras não são só financiadoras — elas têm interesses, gostos e vontade de se aproximar da nossa equipe. O clube representa esse movimento de fidelização dessa comunidade e uma mudança na forma como esse relacionamento com as doadoras é pensado. Em vez de concentrar energia e investimento em ações intensas e pontuais, apostamos numa construção de longo prazo, que mantém as apoiadoras conectadas n’AzMina ao longo do ano inteiro”, explica Natali. 

A parceria com o História Guardada veio para potencializar essa construção a longo prazo, oferecendo um espaço que vai além da indicação de livros — com discussão, troca e um aprofundamento do olhar feminista sobre a literatura.

Literatura como espaço de reconhecimento e troca

O impacto do clube também é percebido pelas participantes, que destacam o papel da leitura coletiva para se conectar além das redes. Para Yasmin Moraes, integrante do grupo, a experiência de leitura se transforma.

“Adoro participar do Clube, existe um poder muito bonito da literatura que é o de se reconhecer nas histórias que a gente lê e o de conseguir imaginar o que vai além do que conseguimos enxergar na vida real. Quando leio sozinha, sou eu com a minha vivência dialogando com a história que estou lendo, mas quando fazemos isso com outras mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ isso é elevado a outras possibilidades e perspectivas.”

Ela complementa: “O grupo do clube é de pessoas dispostas a esse tipo de troca, de aprendizado e de conexão”.

Imagem com fundo em degradê azul e turquesa. Ao centro há uma captura de tela de uma reunião virtual do Clube do Livro d’AzMina.

Diversas participantes aparecem em uma grade de videoconferência. Muitas delas sorriem e exibem para a câmera exemplares de um livro de capa azul-clara com a ilustração de um cavalo-marinho na capa. Algumas utilizam fones de ouvido e óculos. Outras participam por foto de perfil ou com a câmera desligada.

Os ambientes são predominantemente domésticos, com iluminação quente e acolhedora. A imagem comunica um momento de conversa, troca de impressões sobre a leitura e fortalecimento da comunidade de leitoras.

Como funciona o Clube d’AzMina

  • Pra fazer parte é só apoiar com qualquer valor em catarse.me/azmina.
  • Quem participa do Clube pode convidar uma pessoa nova a cada encontro — mesmo que ela não seja apoiadora.
  • Os encontros são a cada dois meses. Sempre às quartas, 19h30.
  • O próximo encontro é dia 13 de maio, para ler a obra “As Malditas”.
  • Existe uma alternância entre ficção e não-ficção a cada encontro.
  • As obras são escolhidas pelo grupo.

O que já lemos no Clube

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

Somos movidas por uma comunidade forte. Falta você!

AzMina ajudou a revolucionar a cobertura de gênero no jornalismo brasileiro nos últimos 6 anos. Com informação e dados, discutimos temas tabus, fazemos reportagens investigativas e criamos uma comunidade forte de pessoas comprometidas com os direitos das mulheres. Muita coisa mudou nesse meio tempo (feminicídio deixou de ser “crime passional” e “feminista” xingamento), mas as violências contra as mulheres e os retrocessos aos nossos direitos continuam aí.

Nosso trabalho é totalmente independente e gratuito, por isso precisamos do apoio de quem acredita nele. Não importa o valor, faça uma doação hoje e ajude AzMina a continuar produzindo conteúdo feminista que faz a diferença na vida das pessoas. O momento é difícil para o Brasil, mas sem a nossa cobertura, o cenário fica ainda mais tenebroso.

FAÇA PARTE AGORA