Criado para aproximar literatura, comunidade e debate feminista, o Clube do Livro d’AzMina, em parceria com o projeto História Guardada, completou seu primeiro ano em maio de 2026, consolidando-se como um espaço de troca entre as pessoas que apoiam o Instituto. O encontro que marcou a data foi realizado no dia 13 de maio e falou do livro “As Malditas”, de Camila Sosa Villada.
Mediado por Ana Clara Pecis, criadora do História Guardada, o clube já promoveu seis encontros, com intervalos de dois meses. O foco da iniciativa são narrativas de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, alternando ciclos de leituras entre ficção e não-ficção. O primeiro livro discutido foi “Mau Hábito”, da autora Alana S. Portero, inaugurando uma lista de leituras sobre pertencimento, reencontro, descobertas e as experiências que atravessam a vida de mulheres e pessoas dissidentes de gênero e sexualidade.

Comunidade que se constrói entre encontros
Entre uma data e outra, as conversas continuam em um grupo de WhatsApp, onde participantes podem trocar impressões e escolher a próxima leitura com base na curadoria da equipe do História Guardada e d’AzMina.
“Sinto que o diferencial do clube d’AzMina não está apenas no foco em narrativas de mulheres ou pessoas LGBTQIAPN+, mas também na construção gradual de uma comunidade de pessoas que tentam inserir, sem pressão, as leituras ao lado das obrigações do trabalho, da vida doméstica e do tempo de qualidade com os amigos e com a família”, afirma Ana Clara.
Do lado d’AzMina, a organização e a articulação do clube ficam sob responsabilidade da coordenadora de comunidades, Natali Carvalho. Ao longo do primeiro ano, a iniciativa firmou parceria com as editoras Companhia das Letras, Ubu Editora, Relicário e Grupo Editorial Record e trouxe a tradutora de “Tornar-se Palestina”, Mariana Sanchez, para um dos encontros.

“A ideia surgiu de uma percepção simples: nossas apoiadoras não são só financiadoras — elas têm interesses, gostos e vontade de se aproximar da nossa equipe. O clube representa esse movimento de fidelização dessa comunidade e uma mudança na forma como esse relacionamento com as doadoras é pensado. Em vez de concentrar energia e investimento em ações intensas e pontuais, apostamos numa construção de longo prazo, que mantém as apoiadoras conectadas n’AzMina ao longo do ano inteiro”, explica Natali.
A parceria com o História Guardada veio para potencializar essa construção a longo prazo, oferecendo um espaço que vai além da indicação de livros — com discussão, troca e um aprofundamento do olhar feminista sobre a literatura.
Literatura como espaço de reconhecimento e troca
O impacto do clube também é percebido pelas participantes, que destacam o papel da leitura coletiva para se conectar além das redes. Para Yasmin Moraes, integrante do grupo, a experiência de leitura se transforma.
“Adoro participar do Clube, existe um poder muito bonito da literatura que é o de se reconhecer nas histórias que a gente lê e o de conseguir imaginar o que vai além do que conseguimos enxergar na vida real. Quando leio sozinha, sou eu com a minha vivência dialogando com a história que estou lendo, mas quando fazemos isso com outras mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ isso é elevado a outras possibilidades e perspectivas.”
Ela complementa: “O grupo do clube é de pessoas dispostas a esse tipo de troca, de aprendizado e de conexão”.

Como funciona o Clube d’AzMina
- Pra fazer parte é só apoiar com qualquer valor em catarse.me/azmina.
- Quem participa do Clube pode convidar uma pessoa nova a cada encontro — mesmo que ela não seja apoiadora.
- Os encontros são a cada dois meses. Sempre às quartas, 19h30.
- O próximo encontro é dia 13 de maio, para ler a obra “As Malditas”.
- Existe uma alternância entre ficção e não-ficção a cada encontro.
- As obras são escolhidas pelo grupo.
O que já lemos no Clube
- Mau Hábito, de Alana S. Portero, publicado pela Amarcord/selo editorial do Grupo Editorial Record (disponível como recompensa em catarse.me/azmina);
- Um feminismo decolonial, de Françoise Vergès, publicado pela Ubu Editora;
- Oração para Desaparecer, de Socorro Acioli, publicado pela Companhia das Letras (disponível como recompensa em catarse.me/azmina);
- Tornar-se Palestina, de Lina Meruane, publicado pela Relicário;
- Dias de Abandono, de Elena Ferrante, publicado pela Biblioteca Azul (selo editorial da Sétimo Selo).
