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23 de janeiro de 2026

Aplicativo PenhaS ganha novo modelo de interação entre usuárias

Exclusivo para Salvador, Círculo PenhaS reúne desenvolvimento tecnológico a ação formativa em território periférico

Uma rede de mulheres articulando estratégias para acolher outras mulheres. Esse foi o principal resultado do Círculo PenhaS, desenvolvido pelo Instituto AzMina em 2025. Contemplado pelo edital Mover-se na Web, com financiamento do NIC.br, o projeto teve duas frentes complementares: o desenvolvimento de uma nova ferramenta no aplicativo PenhaS, e ciclos formativos presenciais, realizados no Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador (BA). A tecnologia foi ponto de partida para fomentar redes locais de apoio, ampliar o acesso à informação qualificada e fortalecer estratégias comunitárias de enfrentamento às violências de gênero, oferecendo um novo modelo de interação entre as usuárias da cidade. 

Ação comunitária

Moradoras do Nordeste de Amaralina participaram de formações para reconhecimento dos diferentes tipos de violência, mitos e verdades sobre direitos, uso dos equipamentos públicos, Lei Maria da Penha, entre outros. Os encontros se consolidaram como espaços de escuta, troca de experiências e compartilhamento de estratégias de cuidado e proteção.

As 40 concluintes foram convidadas a integrar o PenhaS com um novo papel. Elas receberam um selo de verificação no aplicativo, que as identifica como multiplicadoras de informação e apoio qualificado. Quem tem o selo consegue identificar, no mesmo território, usuárias que declaram estar em situação violência. Já as vítimas podem identificam as voluntárias PenhaS, facilitando um ambiente de apoio e troca a partir localização. Dezoito mulheres aceitaram o selo e seguem ativas no PenhaS.

As formações tiveram a parceria da TamoJuntas, organização feminista de assistência multidisciplinar a mulheres em situação de violência.  

“O impacto do projeto vai muito além do aplicativo.  Ao valorizar o território, a história de vida de tantas mulheres e suas tecnologias de convivência e sobrevivência, deixamos um legado no território, reforçamos o direito das mulheres de viverem sem violência, especialmente entre mulheres negras, periféricas e de diferentes faixas etárias”, ressalta Mari Leal, gerente do PenhaS. 

Desenvolvimento tecnológico

Na perspectiva tecnológica, o Círculo PenhaS é pautado na mentalidade open source, concebido a partir de abordagem feminista, com acessibilidade digital, baseada na escuta do território, na experiência das usuárias e na valorização de vínculos comunitários como pilar do enfrentamento às violências de gênero.

Para Ingrid Fernandes, gerente de Tecnologia d’AzMina, o projeto mostra como soluções que combinam engenharia de software, UX/UI centrado na usuária, presença territorial e construção de confiança comunitária são mais eficazes. “É um modelo replicável de inovação social digital, reforçando o PenhaS como uma plataforma de cuidado, acolhimento e autonomia entre mulheres”. 

Balanço 2025

Em 2025, o PenhaS superou a marca de 17 mil usuárias cadastradas desde o lançamento, há seis anos. Deste total, aproximadamente 1,4 mil conheceram o aplicativo em ações presenciais d’AzMina. Outro marco importante é o aumento no número de cidades alcançadas, que chegou a 2005, sendo 54 novos territórios durante o ano.

Além do Círculo PenhaS, a área estratégica de enfrentamento à violência contra mulheres do Instituto AzMina executou, em 2025, o projeto Conexões NUDEMs, para aproximar o PenhaS das Defensorias Públicas do Brasil e das mulheres assistidas em seus NUDEMs (Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero). 

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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